Com sensibilidade e vivência internacional, a arquiteta transforma experiências de vida em projetos que refletem alma, afeto e autenticidade.
Assinando projetos que unem elegância, identidade e emoção, arquiteta Mirian Bastos acredita que a Arquitetura é, acima de tudo, um espelho da alma.
Com uma trajetória que ultrapassa fronteiras, dos Estados Unidos à Argentina, passando por diversas cidades brasileiras, a arquiteta traduz sua bagagem cultural e humana em ambientes que dialogam com a essência de cada cliente.


Para Mirian, “cada casa é um caso”. Essa frase, que virou quase um mantra em sua carreira, sintetiza sua forma de enxergar o morar contemporâneo: dinâmico, mutável e profundamente ligado às histórias de vida.
Nesta entrevista exclusiva ao Portal da Roberta Fontelles Philomeno, a arquiteta compartilha seu olhar sobre o processo criativo, a escolha dos materiais, a força das cores e a emoção de transformar sonhos em espaços reais.
ROBERTA FONTELLES PHILOMENO: Como você inicia seus projetos? De onde partem as ideias? Você vê o espaço vazio ou enxerga de outra forma, até que algo lindo e inspirador surge?
MIRIAN BASTOS: Cada projeto começa com uma escuta atenta. Antes de pensar em plantas, medidas ou materiais, eu busco entender quem é o cliente, o que ele viveu, o que valoriza e como quer se sentir naquele ambiente. As ideias nascem desse diálogo e da intuição.
Não vejo o espaço vazio, vejo possibilidades. É como se a história do cliente começasse a se desenhar ali, e eu fosse apenas a tradutora dessa narrativa em forma de arquitetura.


RFP: O que te inspira no mundo da arquitetura?
MB: Inspira-me o comportamento humano. Observar como as pessoas vivem, como ocupam os espaços e o que as emociona. Além disso, viajar sempre foi uma fonte inesgotável de inspiração.
Morei em diferentes países, como: Estados Unidos, Argentina e cada cultura me ensinou algo sobre proporção, luz, cores e harmonia. Essa soma de experiências me faz criar com liberdade, mas também com propósito.

RFP: Você sempre diz que “cada casa é um caso”. O que esse conceito realmente significa para você?
MB: Significa que não existe um projeto igual ao outro. Cada cliente tem sua própria trajetória, suas lembranças e suas aspirações. Quando alguém me procura, está, de certa forma, me confiando o palco da sua vida.
Então, a casa precisa refletir essa essência. Ela deve acolher, inspirar e contar histórias, as histórias de quem vive ali. Por isso, cada projeto é único, e cada detalhe importa.https://robertafontellesphilomeno.com/arquitetas-cearenses-celebram-historia-da-arquitetura-de-interiores-em-fortaleza/
RFP: Como você arquiteta escolhe os revestimentos? O que procura ao especificar materiais como pisos, paredes e marcenaria?
MB: A escolha dos revestimentos é um dos momentos mais estratégicos e emocionais do projeto. Busco sempre materiais que unam estética e funcionalidade.
Gosto de texturas que convidam ao toque, de superfícies que dialogam com a luz natural e de tons que traduzem o estilo de vida do cliente. Para mim, o revestimento é como o tecido de uma roupa sob medida, precisa vestir bem o espaço.
RFP: E essa história das cores? você como arquiteta realmente acredita que elas têm relação com o estado de espírito?
MB: Totalmente. As cores têm um poder transformador. Elas despertam sensações, equilibram emoções e influenciam o comportamento. Uma paleta suave pode trazer serenidade, enquanto tons vibrantes energizam.
O importante é que a cor traduza o momento de vida do cliente. Assim como nós mudamos, as casas também precisam mudar. Uma nova fase pode pedir novas cores, novas energias.

RFP: Você tem uma história de vida inspiradora. Já morou em vários países e realizou projetos em lugares como Miami, Texas, Omaha, Argentina e Caruaru. Como essa vivência internacional se reflete nos seus projetos?
MB: Minha trajetória fora do Brasil ampliou meu olhar sobre o morar. Aprendi a valorizar o essencial, a respeitar o tempo de cada processo e a compreender a arquitetura como cultura. Cada país me ensinou algo, o minimalismo americano, a paixão latina pelas cores, o apreço europeu pelos detalhes. Trago tudo isso para meus projetos, mas sempre reinterpretado à luz da alma brasileira.
RFP: Quem é Mirian Bastos, a arquiteta? E o que a arquitetura significa para você?
MB: Sou uma eterna curiosa e apaixonada pelo que faço. Para mim, a arquitetura é mais do que estética, é sentimento. É criar lares onde as pessoas possam viver suas melhores memórias. Quando um cliente me confia o sonho da casa própria ou de um novo espaço comercial, sinto uma enorme responsabilidade. É um ato de entrega e de fé. É como se ele dissesse: “aqui está o meu sonho, transforme-o em realidade”.
RFP: O que uma arquiteta sente quando alguém confia a casa ou o projeto de um negócio?
MB: É uma emoção indescritível. Eu me sinto honrada, porque sei que ali existe um sonho, uma expectativa. A arquitetura vai muito além de construir paredes, é sobre construir significados. E, quando o cliente entra no ambiente pronto e se emociona, eu sei que cumpri minha missão.
RFP: Tem algum caso engraçado ou marcante que já aconteceu com você e um cliente?
MB: Vários! (risos). Já aconteceu de um cliente mudar completamente de ideia depois que o projeto estava quase pronto, porque se apaixonou por uma cor que viu em viagem. Tivemos que repensar tudo e o resultado ficou ainda melhor. Essas surpresas fazem parte do processo criativo. A espontaneidade do cliente também me inspira.
RFP: Você costuma dizer que as casas contam histórias. Como enxerga essa relação entre vida e arquitetura?
MB: Acredito que nossas casas são o reflexo de quem somos. Elas evoluem conosco. O quarto do bebê vira espaço de criança, depois de adolescente, até a casa ficar mais silenciosa. Cada fase pede uma transformação, como na vida.
A arquitetura deve acompanhar essas mudanças com leveza, sem perder a essência. Por isso, digo sempre: cada casa tem sua história, e cada história merece ser bem contada.
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